terça-feira, 22 de maio de 2012

Pride and Prejudice 2

Quem falou que consciência e bom senso tem a ver com poder aquisitivo e maior acesso?


Programa Pé na Rua - TV Cultura

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pride & Prejudice


Não, este post não vai falar do romance de Jane Austen, que virou filme. Também não vai entrar no mérito de gosto ou estilo musical, e nem da pobreza cultural que caracteriza o Brasil hoje em dia. Gostaria, sim, de voltar num tema recorrente num país como o nosso: o preconceito. Tema, aliás, que voltou à tona com o clipe da música Kong, de Alexandre Pires. A letra é ruim, a música é ruim, o clipe é ruim. Mas ninguém reparou nisso. O comentário da vez é o fato de negros e pardos aparecerem vestidos de gorilas no vídeo.

De acordo com o Censo mais recente do IBGE, de 2010, somos 91 milhões brancos, 14,5 milhões pretos, 82,2 milhões pardos, além de 2 milhões amarelos e 817,9 mil índios. Pode ser que os números não reflitam tudo, uma vez que isso é medido a partir de como cada um se enxerga; ou seja, negros que se veem mulatos, sanseis que se dizem brancos. Mas é inegável que surgimos de uma mistura e tanto de europeus, indígenas, africanos, e asiáticos. Por isso, é um paradoxo que o Brasil seja ainda tão preconceituoso.

Mas, por que exatamente vestir negros de gorilas é tão diferente de vestir brancos, amarelos e índios do mesmo jeito? A diferença está nos olhos de quem vê. Obviamente existe uma carga negativa em comparar negros a macacos. Mas a ideia do vídeo é outra: comparar homens a um personagem sinônimo de poder e de selvageria. E tudo, nas imagens e na música, remete a sexo. Não tem nada a ver com questão racial. Com as bundas em profusão, no clipe, ninguém se incomodou.

Não pretendo destrinchar a letra da canção aqui, e muito menos ficar fazendo análises psicológicas de todo o contexto. Gostaria mesmo de chamar atenção para uma só questão: será que quem vê problema em vestir um negro de gorila não é o mesmo que está acostumado a realmente associar pretos a macacos? Se esse não é, nem de longe, o objetivo do vídeo, por que sempre alguém vai apontar lá e dizer: "ah, mas não pode vestir preto de macaco..!". É mesmo? E por que? Quando se faz essa diferenciação, o preconceito implícito só é reforçado, em vez do contrário.

Com essa onda do politicamente correto, ninguém pode mais dizer "preto" sem que soe pejorativo; quando na verdade tanto faz dizer "preto", "negro", "afro-descendente". Assim como tanto faz dizer "amarelo", "índio", "pardo", "mestiço", "mameluco' etc, etc, etc. Sob o mesmo guarda-chuva, é todo mundo "gente", e não interessa exatamente qual substantivo usar. São apenas denominações de raça, origem, cor de pele, ou como se quiser chamar. Isso não faz ninguém melhor ou pior, a menos que você, de fato, acredite no contrário. E quando acreditamos nisso, estimulamos uma sociedade que cala não somente sobre meros nomes, mas principalmente sobre seu maior problema: o preconceito implícito por trás de tudo isso.

*Foto: stock.xchng

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Você tem vergonha de que?


Você tem algum costume, ou gosta de alguma coisa que tem vergonha de contar? Ontem, ao comprar um pacotinho de balas cítricas de gelatina, pensei nisso. Sou viciada nestas balinhas, e ontem levei um pacotinho para a aula da pós-graduação, morrendo de vergonha de comer na frente dos outros. Aí fico tirando da bolsa, e comendo escondidinho. 

Ainda no quesito alimentação, adoro as papinhas de bebê da Nestlé. Tenho até uma preferida: maçã e banana. Bom mesmo é deixar o vidrinho um pouquinho na geladeira e comer bem geladinha. Sorvete de baunilha com batata frita? Adorava quando era criança, e me achava uma estranha. Mas com o advento do Orkut, descobri que não era a única: existia uma comunidade dedicada aos "amantes de sorvete com batata frita". Isso sem contar as inúmeras vezes, na infância, em que eu fui alvo de piada porque comia peixe cru - pois é, naquela época ninguém sabia o que era sashimi.

Voltando às balinhas, eu passei a me achar menos estranha quando descobri que os tais ursinhos de gelatina são um sucesso na Alemanha. Afinal, foram inventados lá (é, nem tudo é resultado da imaginação japonesa...). O dono da proeza é um senhor chamado Hans Riegel, fabricante de balinhas que, em 1922, criou os docinhos em forma de ursinhos, com aroma de frutas. O nome não poderia soar mais inocente: Gummibärchen (literalmente 'ursinhos de borracha').

Hans Riegel, da cidade de Bonn, é o que significa Haribo, o nome da empresa deste alemão, que foi muito importante para a minha vida. Ele morreu cedo, mas sua viúva e filhos continuaram tocando o negócio. Um de seus filhos, de mesmo nome, chegou a apresentar uma tese de doutorado intitulada "O desenvolvimento da indústria mundial de açúcar durante e depois da Segunda Guerra Mundial".
 
No entanto, aqui no Brasil, Haribo é coisa rara. Outro dia, em uma incursão em lojinha de aeroporto achei Haribo Cola, as maravilhosas balinhas de Coca-Cola. Por estas terras tropicais, no entanto, são mais comum as jujubas (balinhas de goma). Para mim, os melhores ursinhos daqui são de uma empresa que faz parte de um grupo espanhol, e que produz as tais balinhas cítricas, ainda na minha bolsa, a me provocar.

Escancarando a verdade de que não sou só uma viciada, mas uma viciada com cultura (rs), fica a pergunta: e você, afinal, tem vergonha de que? 


*Foto: reprodução de site

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Consumidor consciente

Não estou aqui para falar de sustentabilidade. Na verdade, gostaria de repetir um tema que é recorrente na minha vida, e consequentemente, neste blog: a falta de respeito com o consumidor. Afinal de contas, se uma empresa privada depende de nós para ganhar a vida, porque nós não podemos afundá-la se ela não faz seu trabalho direito?

Já dizia a minha avó: "quem tem boca vai a Roma". Eu posso não ter conseguido uma viagem Roma ainda, mas recebo o que é meu direito. E quando não recebo, chio. Bastante. Por isso, sou assídua do Reclame Aqui, um ótimo site para você consultar quando quiser consumir algo que não conhece. Sei, por exemplo, de quem desistiu da primeira compra em determinado site porque olhou lá e viu uma centena de reclamações mal resolvidas. Não dá para testar, né?

Por isso, trago hoje aqui a lista das empresas mais reclamadas do Reclame Aqui, para que você também possa se precaver. E a quem resolver insistir e pagar para ver, meu sinto muito, e meu obrigada por tornar minha vida muito mais difícil. Porque cada vez que alguém sofre na mão de uma empresa e acaba desistindo de levar o caso adiante, é a empresa quem ganha mais em cima da gente, e fica muito mais difícil convencê-la de que eu tenho poder de fazê-la perder dinheiro.

Empresas "Não tem mais jeito"


Empresas "Estou me esforçando para não ter mais jeito"

Empresas Megalomaníacas (ou "Queremos ganhar daqueles que não tem mais jeito cruzando quantidade e velocidade")

terça-feira, 24 de abril de 2012

Para onde estamos indo?


Where things come from é o título desta animação produzida pelo alemão Hardy Seiler, como TCC de um curso de Motion Design. E a pergunta que dá nome ao vídeo, me levou a uma outra questão: para onde estamos indo?

A história aí é que o avô de Hardy sabia de onde vinham as coisas. Meus avós também. Sou nascida e criada em cidade grande, mas tive a oportunidade de passar dezenas de férias na casa dos avós, enfiada no meio do mato, onde a água vinha da bica, a fruta vinha do pé, comida vinha da horta e da granja. A vaca crescia no pasto, a gente subia em árvore e pegava bicho-de-pé. Então, eu sempre soube que ovos e laranjas não nasciam no mercado.


Hoje, a lentidão cedeu lugar à agilidade. No mundo de tablets, smartphones, e-readers, somos bombardeados de um volume intenso de informações que não absorvemos. E, mais grave, muitas vezes não questionamos. No vídeo, uma frase em inglês diz que nós só podemos progredir a partir daquilo que compreendemos. E se compreender não é decorar, afinal, where are we going to?

Este outro vídeo abaixo, que eu já postei no Facebook uma vez, oferece uma perspectiva assustadora de tudo isso.

 

E você, o que acha?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Tickets for fuck e o dia Mundial da Voz


Muita gente ainda se lembra do vídeo da garota revoltada com a empresa Tickets for Fun, porque não conseguia comprar ingressos para o show do U2. Na época, muita gente riu, e muita gente fez da garota alvo de piada. Mas, neste dia de hoje, em que eu mesma estou com um problema interminável com a mesma empresa, gostaria de lembrar o dia Mundial da Voz. Que me desculpem os fonoaudiólogos, mas deveríamos usar esta data (20/04) para lembrar que nossa voz é muito mais do que o som produzido pela vibração das cordas vocais.

Já diziam nossas avós: "quem tem boca vai a Roma". Mas aqui no Brasil temos a cultura de que quem reclama é chato. Afinal, somos o país tropical, do futebol, calor, praia e mar. Então, deixemos disso, e toquemos a vida, 'num' é? De minha parte prefiro ser a chata satisfeita. Acho que é devido a esse tipo de comportamento que cada vez mais, algumas empresas acham que podem não apenas desrespeitar direitos, mas fazê-lo tirando sarro da nossa cara e apontando o dedo para nosso nariz.

Claro, tem muita empresa de olho em redes sociais, monitorando a própria imagem, uma vez que elas se tornaram mais uma ferramenta para demonstrarmos insatisfação e, mais: propagam informações (boas e más) na velocidade da luz. 

Tudo isso para dizer que, se temos tantas ferramentas à diposição, por que ainda tomamos 'chapéu'? Que tal usarmos nossa voz e nos fazer ouvir? Mesmo que isso signifique não comprar um produto que você tenha gostado, só porque a loja já magoou você. É, a expressão é essa mesmo. Porque quando você consome algo, e dá errado, os sentimentos de frustração e decepção tem tudo a ver com mágoa.

Em um exemplo pessoal, comprei recentemente um produto pela Etna online, e tive problemas com cumprimento do prazo de entrega. E eu já havia tido problemas com a loja em outra ocasião. Se eu já comprei com eles duas vezes e tive problema nas DUAS vezes, para que vou me submeter de novo? Simples, não compro mais lá, mesmo que eventualmente eu veja um produto que muito me interesse. Vou comprar na concorrência (Tok & Stok) porque lá já comprei muitas vezes mais e NUNCA tive problemas. Isso se chama coerência, e é o que todos deveríamos ter porque, no final, eu, você, o atendente de telemarketing, o diretor, e o vendedor, somos todos consumidores de alguma coisa, não?

Tickets for Fuck em...

...como tratar mal o cliente em uma lição

(Um capítulo especial porque, afinal, eles merecem!)

Em 16/02/2012, comprei ingressos para o torneio de tênis "Brasil Open", para jogos de 17/02/2012, através do site da Tickets for Fuck e, devido a promiximidade do evento, a única maneira de ter acesso ao ingresso, era a retirada na bilheteria. 

Na ocasião, além dos R$ 25 do ingresso, paguei R$ 5 de taxa de conveniência, e outros R$ 8 de taxa de entrega para um ingresso que seria retirado na bilheteria do local do evento. 

Sem contatar a empresa, chequei diretamente no Procon se esta taxa de entrega não seria abusiva, uma vez que retirei os ingressos na bilheteria. Fui informada pelo órgão de que seria solicitada a devolução deste valor.

Pois bem, hoje, dois meses depois da compra,e sem ter feito nenhum contato telefônico com a empresa, decidir ligar para o SAC da Tickets for Fun para saber a quantas anda. Aí fiquei sabendo que:

1º: No SAC por teletone, eles não conseguem rastrear protocolos de reclamações feitas pelo SAC e-mail.

2º: Eles não conseguem encontrar meu CPF no cadastro deles, embora eu tenha cadastro no site, e tenha realizado a compra através do site.

3º: A atendente me informou que a "taxa de entrega" é, na verdade, uma "taxa de bilheteria", embora eu saiba ler, e tenha lido bem claro, no site a expressão "taxa de entrega". Ela, porém, insistiu em dizer que eu não sei ler.

4º: A referida "taxa de bilheteria" que a atendente insiste que eu não soube ler, e que, segundo ela, está especificada no site, vem a ser uma taxa para impressão do ingresso, embora ele tenha que ser impresso de qualquer maneira, mesmo que eu o comprasse na bilheteria (sem pagar nenhuma taxa, aliás).

Posto isso, gostaria ainda de ressaltar que eu sempre compro ingressos por outro site, chamado Ingresso Rápido, que além de ser muito bom, prático, rápido e eficiente, não me cobra nenhuma taxa. Continuo com o processo contra a Tickets for Fuck no Procon, esperando uma solução, e sabendo que com ela, eu não faço mais negócio.


***Foto: Stock.xchng

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cidade grande: sonho ou pesadelo?

A The Economist divulgou ontem um ranking com as cidades mais caras do mundo para se viver. O primeiro lugar ficou com Zurique, na Suíça, que não tem 400 mil habitantes; seguida por Tóquio, com 37 milhões na área metropolitana; e Oslo, com pouco mais de 500 mil. São Paulo aparece em 28º lugar, atrás de Madri, Londres, Paris e Sydnei, por exemplo. E olha que São Paulo é caríssima.

A questão de viver em cidades tem me chamado muita atenção nos últimos tempos. A revista National Geographic lançou, recentemente, uma edição em que argumentava que as cidades são, sim, a solução para a "superpopulação" no mundo. Pode até ser. Provavelmente o é. Desde que as cidades também não sejam por si só, "superpovoadas".

Tomemos Zurique como exemplo. A cidade definitivamente é cara. Mas a qualidade de vida lá está entre as melhores do mundo - e não estamos falando dos países da Escandinávia! E, como em muitas cidades europeias, há muitos parques, bicicletas, e segurança. Não passa pela cabeça de um cidadão de Zurique sequer a preocupação ou a possibilidade de ser assaltado nas ruas.

Já em São Paulo, além do custo de vida alto, precisamos arcar com o ônus de uma cidade mal planejada, de quase 20 milhões de habitantes, se contarmos toda a região metropolitana. Transporte público é ruim, sua ampliação anda a passos muito mais do que lentos; o trânsito é caótico, e não há uma pessoa que não conheça histórias de assaltos - seja furto ou roubo, algumas vezes com uso de violência. No jogo entre polícia e ladrão, mocinho e bandido se confundem. Todos os nossos poucos parques precisam ser cercados por grades, e o centro da cidade tenta ganhar revitalização há anos, sem sucesso. Assim como nossos rios, que passam por processos de despoluição que nunca terminam. Isso tudo sem citar que São Paulo é a maior cidade de um país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, à frente de países como Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão, para citar alguns. Na nossa frente, estão Suécia, Dinamarca, e Bélgica, por exemplo, países cujo pagamento de imposto, seguindo o curso normal, inclui retorno à população na forma de investimentos.

Comparações com corrupção à parte (até porque a Suíça dos paraísos fiscais está longe de ser um modelo), é inevitável a pergunta: como administrar uma cidade com uma população do tamanho da que tem São Paulo? - um problema agravado pelo abandono do planejamento por tantos outros governos que por aqui passaram. E isso tudo, me leva a questionar se não seria o caso de fazer investimentos para organizarmos cidades menores, com melhor estrutura, em vez de gigantescas metrópoles. Mas tudo isso exigiria um tanto de planejamento. E isso o Brasil do "tapa-buraco", "tapa-o-sol-com-a-peneira", "esconde-a-sujeira-embaixo-do-tapete" não vai mudar tão cedo. Devo "mudar-me eu"?